segunda-feira, 24 de julho de 2017

Chuvas de Desejos

Chuvas de Desejos



Todos têm histórias a contar
Inúmeras surpresas a descrever
Dia de chuva, boa hora para começar
Sem medo de nada e tudo a acontecer.


Protegido em dia chuvoso
Vi de longe uma linda jovem
Desejava estar no cobertor gostoso
Vontade tinha, só faltava coragem.


Divididos por uma extensa avenida
Acenei de longe, mas não fui visto
O frio batia e mais longe fica a pretendida
Estranho me sentir malquisto...


Observei de longe aquele corpo
Desprotegido e todo molhado
Minha visão apurada de rapina
Começava a ver além da roupa
A silhueta da beleza, a ninfa...


Gesticulei, mas não gritei
Não queria passar por mal-educado
O vulcão do desejo... Acreditei
Ela nem aí... Fiquei acabrunhado.


De repente uma luz une, ilumina
Ela olhou, fez que nada acontecia
Mas a vontade era forte naquela menina
Sorriso fez da noite um lindo dia.


Ouvi um som de animal bem distante
Era o galo anunciando o amanhecer
Fez-me perceber o constante
Sonhador que sou... Mas valeu acontecer.
Acordei e voltei a viver o abstrato
Que todos chamam de vida
Mas aquela imagem de luz cintilante
Revelou a busca real da pretendida.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


terça-feira, 18 de julho de 2017

Transitório

Transitório



Eu já tive um lindo sorriso
Tempos de uma infância perdida
Talvez seja por isso, a perplexidade.
Caminhos cheios de espinhos
Purificando a vida com voracidade.

Desacreditado nas palavras certas
Fui humilhado sem vaias e aplausos
Atualmente sigo minhas setas
Direção segura para versos e causos.

Inabilidade nos relacionamentos
Criei profundas e dolorosas feridas
Momentos de prazer guardados
Embrulhados no pensamento...

Na certeza que tudo chega ao fim
Vou caminhado lento cuidando de mim
Calado na amargura do silêncio seguro
Escrevo mais forte quando estou em apuro
Quem nasce pronto e sem controle
É o pensamento... Sufragamos
O luto das palavras.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Eternidade

Eternidade



Andejo meditando os verbos da vida
Sereno pronuncio palavras de Luz
A perpetuidade oculta na linha escrita.
O som do coração não mais me conduz.


Eterno seja as entrelinhas de Fernando Pessoa
Que viajou além-mar conquistando o mundo.
Augusto dos Anjos traduzindo as dores que a alma ecoa
Faz de cada palavra um sentimento mais profundo.


O eco dos meus pêsames é evo
Já estou no caminho da partida
O murmúrio do vento é o que levo
Sigo na memória da última poesia lida.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ingratidão

Ingratidão



Vida que nasce tão carente
Caminhos de rosas e espinhos
Manhãs de sol e chuva freqüentes
Andarilhos leais e seus destinos.


A realeza humana tão inóspita
Estrangeiro em cada coração
Bem e mal na rua da sobrevivência
Onde moras senhora gratidão.


Não reconheces um lindo dia
Nunca precisastes de ajuda?
Jamais vistes a beleza da poesia
Sequer amou de forma profunda?


Meus versos são flores colhidas
As estrofes nuvens de algodão
Compor a melodia de vidas
Em cada nova estação...


Luz e Sombra coexistem
Tudo onde pisa germina
Ingratidão e prazer não se fundem
A única certeza que a vida não termina.   


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


domingo, 9 de julho de 2017

Restauração

Restauração



Quando se conhece o amor
O vento é mais suave
A natureza é magia e esplendor
Ave-do-paraíso entoa a pura melodia.


Quando o amor acontece
O rio segue sereno o curso
A verdadeira paz aparece
Sentimento puro sem recurso.


Se o amor encontra a paixão
Todo o encanto da viagem
Corre perigo de a beleza ser em vão
O campo fértil torna-se estiagem.


O sorriso do amor é verdadeiro
A alegria da paixão é passageira
O abraço do amor é videiro
O ósculo da paixão tem alma traiçoeira.


O amor não tem aflição
Nasce todo dia
Entoando a bela canção
Construindo o novo verso na melodia.


Conheci a poesia antes da paixão...
As paixões abandonaram o curso da vida.
O Amor construiu versos rimados ou não
Foi a minha restauração.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano




quinta-feira, 6 de julho de 2017

Espelho

Espelho



Tudo se passa transitoriamente
Minha luz não reflete a vossa imagem
A visão reproduz o delírio da mente
Carente de atenção, uma miragem.


As águas de espírito calmo procriam
Exibindo a estampa da infidelidade
Ao leve toque desmancha-se a farsa
Cai em desgraça toda à espontaneidade.


É sempre uma vontade de imitar
Não será minha imagem perfeita
É todo o avesso do que desejo acreditar
Nem minha alma impura te aceita.


A consciência humana sai do altar
Corre campo feito corcel selvagem
Já não precisas os defeitos me mostrar
Tenho cicatrizes que mostram a coragem.


Teu toque é frio, igual alma perdida.
O beijo não traz nenhuma resposta
És morto e minha visão está viva
Revelando uma nova proposta.


Saio do harmonioso equilíbrio
Jogo-te ao chão das lamentações
Tornando nossa imagem um ludíbrio
Espelho das dolorosas furtivas emoções.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano

















terça-feira, 4 de julho de 2017

Constante

Constante


Repentinamente uma ausência
A inexistência entre o tempo e o espaço.
Comprometimento real imaginário
Toda existência incomum social.


Atingindo a forma degenerativa
Linguagem corporal sem significado  
Insensatez, vozes comprometida
Várias setas, uma imaginária direção.


A morte viva na plenitude da vida
Possibilidade e cruel perda
Refaço meus passos, forma preventiva
Memorizo apenas o que estiver antes da cerca.


Sentimento sem autenticidade
Perigo contra as feras do próprio...
Comportamento.
Tudo avança na edaz enfermidade
Ciranda de verbos adivinhatório.


Referência morta em julgamento
Inerente à verdadeira defesa
Quebra cabeça e não passa o tempo
Lembrar o último beijo será a grande surpresa.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano





sábado, 1 de julho de 2017

Suspense

Suspense



Acordo naquela preocupação
Minha ação sem noção
Pura ansiedade de prisioneiro
Condenado a pura sorte ou morte.


A ligação cada vez mais distante
O instante da minha vã imaginação
Encontro de olhares, insana paixão.
Desejo carnal concomitante.


A taça de vinho, mesa branca.
Incenso afrodisíaco, a luz no recanto
Reconhecimento digital, sem sinal...
Música banda, místico canto.


O que nós somos agora?
Suspense no ar...
Nada somos do agora, já foi.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano