quarta-feira, 1 de maio de 2013

PERDOA-ME SE FOR CAPAZ do Poeta Pernambucano Fernando Matos

PERDOA-ME SE FOR CAPAZ

Se perder na estrada da memória emotiva, tem um preço. Éramos jovens e inocentes guardando emoções perdidas entre folhas do nosso caderno de matérias. Uma lembrança boba para momentos tão belos que nasceram através de um simples olhar e se perdeu ao dar as costas para ternura. 

Seguimos percursos diferentes, alternativos, complicados e quando me dei conta da desilusão no meu amanhecer já não estavas mais lá... A certeza da perda era inevitável.

Em frente e avante, porque o mundo dá voltas e quem sabe em uma dessas esquinas de olhares perdidos eu poderia encontrar meu olhar esquecido, doce e apaixonado. Sabor de fel, a Verdade dos nossos passos falsos em um mundo obscuro. Entreguei-me a loucura humana mesmo sabendo que só os malucos sobrevivem a uma demência social incurável. Em braços me deitei, me deleitei e sonhei os piores sonhos, em bocas de salivas frias me embriaguei igual a um bêbado sem rumo. Alcovas foram minha moradia e dia a dia tentava em vão encontrar a estrada de ouro e voltar ao ninho de carinho quente e afável. Orgasmos platônicos me fizeram algoz da minha carne e do meu espírito e cada olhar de amor entre pessoas estranhas era minha sentença de morte, caminhei, caminhei, até que...

Um dia sem querer cabisbaixo riscando o vazio do mundo encontrei você, muito mais bela, a mesma felicidade de outrora, o brilho radiante do olhar sadio e puro, cai na perplexidade e a bússola do verdadeiro amor trouxe-me de volta aos teus braços. No entanto nossas vidas mundanas, perdão, minha vida mundana era a grande diferença entre nós agora e como provar que ainda te amava como antes após tantas atrocidades cometidas? Não perdi tempo te coloquei nos braços e nos beijamos. Doce e adorável beijo reencontrado no acaso do destino, meus olhos ficaram rasos d´água. Todavia os seres humanos não vivem de sonhos e mentiras e a verdade deu-nos uma surra e o medo da perda afligiu-me o peito. Você falou que não poderíamos mais nos ver que outra vida estava em jogo, um jogo que perdi quando te deixei é óbvio. Mas o guerreiro que me tornei não abandona a luta antes de fincar a espada no próprio peito e prometemos nos ver outras vezes.

Covarde mais uma vez tive medo da solidão e entreguei-me novamente em braços estranhos, o vício do amor falso é o pior de todos. Soubeste do intento e a fúria alimentou sua alma, desculpas pedi e negastes, ajoelhei-me ao teus pés e humilhado fui pela tua raiva, clamei misericórdia porque já não tenho mais idade jovem viril para tanto sofrimento e teu olhar não fitava outro lugar senão o infinito da incerteza.
Sai do teu caminho mais uma vez, comecei a convalescer no estábulo da pobreza espiritual, as dores da alma era pior do que as dores da carne, me sentia imundo nas palavras fora de ordem e a música que nos uniu um dia era agora a canção de nossa despedida. Quando você soube de notícias minhas, largou o rancor e benevolente correu ao meu encontro mas já era tarde e não tínhamos tempo para o abraço, o carinho e o único beijo que sentia era da morte próxima da minha alma. Tuas lágrimas expurgava minhas máculas e sentindo-me mais leve pude abrir a boca e dizer as últimas palavras: - Me perdoa se for capaz e segura minha mão para que eu não venha ter medo da nova jornada... Te amo!!!

Fernando Matos
Poeta Pernambucano



quarta-feira, 3 de abril de 2013

Retalhos - Poesia de Fernando Matos


RETALHOS

Eu não te perdi... foi a minha inteligência
que estava um degrau abaixo
da tua apoteose de hipocrisia.
Sejamos Verdadeiros, embora separados.

Não estou triste pelo nosso desencontro,
vivo contente porque a Verdade ficou.
A vírgula que preencheu  minha Vida,
restou apenas um ponto final
que destes em nossos beijos.

A música espera por nós.
A bebida que acaba,
pede gelo de nossa distância.
Estou aqui, chego já ali...
estou distante e não te vejo mais nas paisagens.

A boemia acolheu-me quando
você abandonou nosso espaço.
O copo de cerveja escondeu
para sempre toda ira que desejava
te jogar na face transparente.

Nem sempre o numero (1)
quer dizer o inicio de tudo.
Assim também um adeus
não pode profetizar uma grande despedida.
A covardia do silencio existe,
para não macular a minha verdade.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

COMPASSO PERNAMBUCANO - Poesia de Fernando Matos



Saio da minha Torre medieval
no destino ao nobre bairro mais antigo
de novos habitantes.
O Recife é brilho, é luz
que transborda no calor humano,
no olhar de alegria e euforia.

A música que me conduz ponte
após ponte à cidade maurícia
que saúda a folia mais pernambucana...
Sua Majestade o Frevo.
Chegando na Mariz e Barros os corações
batem em um só ritmo que faz
tremer... As batidas fortes do maracatu
segue o percurso certo
regido  pelo Mestre Maior
Naná Vasconcelos anunciando ao Marco Zero
o  início do prazer imaginário.

O dia amanhece devagar,
na calma do divertimento feliz
e os brincantes jovens aprendizes
se refazem energizando suas coloridas sombrinhas
saudando o Galo nas artérias
recifences.

Uma gente que esconde suas mágoas
em fantasias divertidas e irreverentes
mostrando em gestos glamourosos o
autêntico folião... Entre blocos e troças
O Anárquico Nois Sofre mas Nois Goza
desfilando a felicidade de Tarcísio Pereira e amigos
numa só emoção de 37 anos.

O Samba Pernambucano mostra ao
mundo a beleza da voz
guerreira de Karynna Spinelli
na raiz da música mais brasileira.

Os bonecos de Olinda
majestosamente encantam e
transborda de beleza nas ladeiras
da cidade histórica.
As performances que irão perdurar
na fotografia popular do
imaginário folião.

Na geometria do maracatu,
cabocolinho, samba e outras
manifestações artísticas e a
certeza que o Recife Multicultural
abriu suas pontes para unir todos os povos
que finaliza cantando com Getúlio Cavalcanti
O “Último Regresso” dizendo  “que o Recife tem,
o carnaval melhor do meu Brasil”.
No compasso da alegria a magia
fecha o portal entre a imaginação e a razão
humana deixando saudade
entre corações de graciosos brincantes.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano
http://poetafernandomatos.blogspot.com.br/


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Corações - Poesia de Fernando Matos


Corações

Retorno da minha boemia
poética com a lucidez
e estupidez de quem se
embriaga com as palavras
mais incorretas que provocam
dor e nudez na alma peregrina.

No silencio caminho pelo
lar como gatuno assustado.
Dispo-me da minha literatura
nua e crua e encarno o sonambulo
da noite gelada.

Deito, abraço e sinto o cheiro
mas a carne perdeu seus sentidos
e encolhido ,perdido entre lençóis
sou surpreendido pelo calor do
astro rei e despertando-me das
minhas alucinações noturnas.
Vejo que nunca existiu dois
corações, apenas um, solitário
e inquieto nas estradas das letras.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Beijo Venenoso - Poesia de Fernando Matos


BEIJO VENENOSO


Teus olhos
São como nuvens
Que dissipam.

Seus beijos
Tem sabor
De melo venenoso.

Minha alma
Se esconde
No orgasmo que
Nunca tivemos.

O cheiro que guardo
Com emoção
É a única certeza
De tê-la a todo momento.

Fernando Matos.
Poeta Pernambucano


sábado, 27 de outubro de 2012

AMAR-TE É POUCO - Poesia de Fernando Matos


AMAR-TE É POUCO

Mulher que me quer,
deseja, ama, cuida de mim...
Ai de mim.
Força que me impulsiona
à vida criativa,
emociona os versos dos meus dias.
Poema inspirador em seis
letras de pura energia.

Ofertar flores é apenas
um gracejo, um mimo
de menino/homem carente
com desejo ardente de
tê-la nos braços desse louco
poeta apaixonado.

Vida que te quero em Vida,
mulher que te quero nua,
pura, inocente e envolvente
de pele aveludada.
Voraz, transformadora,
apaixonada em instantes mínimos e gozos
em horas de prazer eterno.
Amar-te é pouco, Mulher.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Lenço Branco - Poesia de Fernando Matos


Lenço Branco

Voz baixa quase emudecida
olhar distante, especioso
vago na penumbra iluminada
por feixe de veracidade.
... Quem sou no caminho
que ando glorioso, ingênuo
e  alma cândida?

Cerraram minhas palavras
no palco da Vida, hoje
olhar para trás é apenas
uma partida não mais
uma recordação melancólica.

Meus dedos acordam riste,
armas prontas para ceifar
os maus presságios.
Lograr alegria no mirar
de imagem relfetida no
espelho da carne humana.

Transpiro dúvidas, incertezas
almejo a tão desejada ventura
um adeus vai passar e apenas
ficar na relembrnaça o bailar
do lenço branco.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano