terça-feira, 19 de junho de 2018

Rude


Rude



Insensíveis olhares, crítica desagradável
Arranquei os olhos, grosseiro e asqueroso gesto
Vislumbrei o belo e macularam o único afeto.
Caminhar ao luar ainda é um sonho bem agradável...

Indelicados passos na caminhada infinita
Mutilo os pés nada é durável ficando inerte
O que é provocado na presente jornada
Acaba no pronunciamento da palavra maldita.

O dialeto permanece ocasionalmente silenciado
Venho haurir a língua que na saudosa vida
Versou o amor, agora nem o adeus profere na despedida.
O ósculo de intenso sentimento, agora enevoado.

A dor da alma ninguém consegue suportar
Realização árdua e malévola da cumplicidade
Meigo e singelo renascer no presente adeus
Caridade é esquecer, divindade é perdoar.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Enquanto Houver Amanhã


Enquanto Houver Amanhã



Ouvirei uma música no final da tarde
Não carregarei dúvidas para o futuro
Toda incerteza torna o guerreiro um covarde
O destino te faz forte ou imaturo.

Enquanto Houver Amanhã

Irei chorar na presença do Nosso Senhor
Por que toda Fortaleza tem uma masmorra?
A Luz do aprimoramento chega através da dor

Enquanto Houver Amanhã

Proclamarei o amor incondicional
Que nasce no ventre da Família
Raiz que não se sujeita a qualquer homilia
Vivendo o sentimento afetivo, integral.

Enquanto Houver Amanhã

À medida que a idade na certeza avançar
Será o último do primeiro dia bem vivido
O beijo de saudade pela manhã vai deixar
À noite, a saciar-se no deleite abraço contido.

Enquanto Houver Amanhã

Tornarei cada despedida, um aplauso caloroso
Guardarei na lembrança cada carinho recebido,
Cada adeus, um forte desejo amargo recolhido.
Onde todo efeito da Vida se torna Milagroso.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano




segunda-feira, 11 de junho de 2018

A Flor da Pele


A Flor da Pele




Era noite fria sem estrelas no céu
O corpo tremia com receio de esquecimento
A voz muda estimulava os gestos ao léu
Tudo é favorável quando há sentimento.

Necessito nesse momento do abraço caloroso
Entre semblantes na multidão ecoa o meu grito
Carente de um beijo que acalme esse vulto aflito.
O calor do teu olhar é mágico e afetuoso...

Como é gostoso sentir a leveza da pele nua
Uma necessidade básica de pertencer à flor
Essencial dos apaixonados desejarem sob a lua
Eternizando sonhos entre o clímax acolhedor.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano





domingo, 10 de junho de 2018

Efêmero


Efêmero


Pegadas longas de pouca duração
Tão breve é tua singela e pura existência
Palavras transitórias que causam dolência
A lástima caminhada de uma curta criação.

O Tempo se une ao pequeno espaço provisório
A Nau das ilusões atinge o nível máximo de contingentes
Nada perdura após a lágrima seca do poente.
Sou surdo e mudo ao bem e mal transitório.

O modo de viver depende da morada interior
A presença que se faz ausente no final da vida.
Quero distância da imagem não refletida
No âmago amargo da minha desafortunada dor.

O Adeus não é absorvido pela carne e sim pela alma.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


sábado, 2 de junho de 2018

Beija-me com Desejo


Beija-me com Desejo



Almejo teu olhar no eterno infinito
Não sinto mais frio no calor da presença
Tua ausência no dia que passa e perco a crença.
Quero dizer ao mundo que você é Luz e não conflito.

Sentado na estação a alma palpita de ansiedade
O velho coração amargurado com a desilusão
Diária vestindo a velha mortalha da compaixão.
Cansei e a caminhada está lenta devido à idade.

Perdi o juízo nas madrugadas dos bares
Cada beijo ofertado imaginava como seria
No dia que pudesse oscular tua face vazia.
Fiquei louco seguindo pegadas por onde passastes.

Faz então um favor para nós dois...
Beija-me com desejo tirando-me o fôlego
Cobre-me com o manto mansidão
Esconde-me da escuridão atroz.

Hoje a madrugada lamentou mais uma partida
No contratempo da alegria vinda do além
Pois alguém teve o merecimento da vida
A sede de tentar compreender o propósito também.

O vazio é às vezes preenchido com incertezas
Cai no infinito do quarto escuro das esperanças
Já perdidas... No caminho pranteei lembranças.
Ao invés de caçador transformei-me em caça.

Continuarei esperando o velho trem
Nada me fará olhar para trás
Arrependo-me apenas de não ser tão sagaz
Em orações construo um futuro a quem quero bem.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Quem Sabe Amanhã

Quem Sabe Amanhã


Era de escutar apenas fortes alaridos
Ao mesmo tempo ao longe um clamor
Fiquei assustado e corri ao seu favor
Tudo foi silenciando e não mais havia gritos.

Comecei a sentir um calor aconchegante
Entretanto a voz ainda era de muita agonia
O lugar era escuro mal era possível ver o dia
Havia um desejo enorme de contemplar o semblante.

Aos poucos fui saboreando um gosto amargo
Era inevitável não ouvir tantas tristezas
As notícias já era fato sem incertezas...
Entrei em profundo e fatídico estado letárgico.

A Verdade não demorou ao Espírito chegar
Violaram uma carne pura...
Ao invés de alegria minha chegada era amargura.
Não adianta seguir caminho sem alguém para amar.

A voz de carinho e ternura ao mundo agora ecoa
Não se preocupe mãe, quem sabe amanhã.
Tentei proteger mesmo sem ser teu talismã
A lágrima do perdão, você sentirá na próxima garoa.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


terça-feira, 1 de maio de 2018

A Rosa e o Fogo


A Rosa e o Fogo


Em caminhadas perdidas pelo deserto
Um fogo abrasador solitário queimava
Tudo que pelo seu caminho passava
Ninguém escaparia e isso já era certo.

Ao longe ele avistou um lindo roseiral
Um sonho de campos Elísios
O tão procurado e sonhado paraíso.
Beleza estonteante fugia ao pensamento real.

No meio daquele majestoso rosal
Uma Rosa Vermelha ressaltava o lugar
Brilho e perfume faziam a diferença no ar
Cada pétala revelava seu encanto sensual.

O fogo todo atordoado parou sua jornada
Estava perplexo com a magnífica venustidade
Uma beleza perdida além de toda eternidade
Fez o seu calor paralisar na sua destrutiva caminhada.

Era impossível queimar tão lindo jardim
Mas sua natureza era queimar
A tudo e todos que pudesse encontrar
A brasa do seu coração diminuiu e pensou assim...

Se eu contornar esse roseiral por trás da montanha
Prossigo firme no meu inglório destino
Preservando o que há de belo e Divino
Deixando a rosa vermelha na paz e ninguém a apanha.

Assim fez o coração de fogo e seguiu rumo novo
No entanto lá de cima no alto morro
Olhou para trás e viu outro fogo abrasador
Impiedosamente queimar seu lindo amor
Triste ficou e nada mais podia fazer
A não ser lamentar a perda amorosa
Jamais veria a beleza ou sentiria o perfume
De sua amada Rosa...
O calor de seu fogo começou a diminuir
E de seus olhos uma lágrima veio a surgir
Não contendo a grandeza de seu luto
Uma gota de lágrima se transformou em vasto
Rio de tristeza exterminando sem comiseração
O aniquilador de sua eterna paixão.
O campo de rosas estava destruído
Porém nem tudo estava perdido
No meio do pasto havia um broto
De esperança e renovação daquele amor.
Nasceu uma Rosa de Fogo
Nela havia tanto calor e proteção
Lembrando que ninguém jamais
Poderá ser mais que uma pura e singular Paixão.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano