segunda-feira, 21 de março de 2016

NORDESTINO SONHADOR

NORDESTINO SONHADOR


Ainda quando menino 
Lembro – me muito bem 
Quando meu pai me alertava 
Dizendo dos desatinos sofridos 
Das desavenças do destino. 


Ao chorar era achegado 
Com olhos de rapina 
Dizendo que na vida 
Cada lágrima tem seu valor 
No silêncio da noite limpando a alma 
Para o calor de um novo dia. 


Assim cresci e homem feito 
Trabalhei muito até os calos 
Sofrer mais que as dores na mão. 
Arrumei uma companheira 
Cheia de formosura rica na lida 
Criativa no forno fogão. 


Não demorou muito os filhos 
Chegaram no total de três 
Esses por sua vez ajudaram 
Na construção de nossa casa 
Como puderam... Escola era necessário 
Desde o primário se via logo o interesse 
De cada um pelos estudos sim senhor 
Não gostavam muito da lida do campo 
Desejaram ser doutor... Menino quando sonha 
Guarda todo tipo de segredo 
Dentro da fronha. 


Nessa terra que tudo dá quando chove 
Passamos por provação Divina 
Foram dias de muita dureza 
Eu, a mulher, os meninos e a menina 
A velha sina do nordestino. 


Veio a doença e a mulher se foi 
Logo depois os filhos tomaram rumo 
Na vida... 
Todos, pessoas de bem, não foram ladrões 
Nem rapariga. 
Terminei sozinho nessa imensidão de terra. 


Com a desventura fiquei cada vez 
Pobre, solitário nada mais plantei 
Agora era apenas recordações perdidas 
Até a luz me tiraram, ficando apenas 
O brilho das estrelas desses sertões 
De luas frias... 


Hoje na estrada todos passam 
Veem uma casa abandonada 
Não me enxergam 
Virei uma alma penada. 
Apenas esse poeta em sua jornada 
Viu uma beleza e desejou contar 
Em versos essa estória de um nordestino 
Sonhador. 


Fernando Matos
Poeta Pernambucano



terça-feira, 1 de março de 2016

Retiro

RETIRO

A saudade tornou-se infinda
Procuro-te na plenitude do céu
Estrelado apaziguar esse coração
Inquieto e amargurado.

Sinto falta da beleza corporal
Que coloria meu leito noturno
Agora as noites se tornam um
Absurdo vácuo sem cor
Mergulhando na fria lua
A tua falta, pele nua e ardor
Animal.

A música suave lembra a dança
Dos corpos sem pecado
Endiabrados gestos e minuciosos
Murmúrios cálidos perdidos
No espaço que antes era nosso
Agora é vazio... Meu suspiro
Vosso retiro.


Fernando  Matos
Poeta Pernambucano




terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Iluminado Amor

ILUMINADO AMOR


Já não lembro a última 
Frase de carinho que te enviei 
Eras tão jovem como eu 
Lembrei um dia desses 
Dos nossos primeiros passos, 
Nossa primeira aventura 
Os laços que nos uníamos. 
Achava me triste e solitário 
Você sempre animando meu dia 
Com um sorriso único sem comentário 
Das minhas desventuras. 
A jornada foi se prolongando 
Já era notório a minha tristeza 
Tu ali e aqui no meu âmago 
Sempre presente amando 
Esse Ser entre dois mundos. 
Eu almejava o paraíso na terra 
E encontrei suas falsas alegrias 
Você sempre forte 
Observadora dizendo que um dia 
A verdade vem... E veio... De onde? 
Boêmio tornei me numa cidade 
De velhos bondes, mulheres amei 
De todas as idades, das sem classe 
Até a filha do Rei... Inconsequente 
Poeta que na maturidade reencontrou 
Quem sempre esteve junto a si 
E mostrou que era Ela o seu amor. 
Uma guerreira, sonhadora, sensível 
O incrível disso tudo que hoje a encontrei 
Na dor, aceitei a punição, o castigo 
Corações sinceros sempre acreditam 
Na reconciliação das almas 
Que ficarias comigo no final. 
Tu és linda e me sinto maravilhado, 
Amado de todas as formas 
Um Ser Iluminado que digo com certeza 
Como é bom te amar e curtir 
Tua beleza... A você todo meu amor, 
Meu eterno calor poético... Te Amo “Vida”. 


Fernando Matos
Poeta Pernambucano



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Sinais Vitrais

SINAIS VITRAIS


É manhã, fardo.
Respiro, inspiro,
Inspiro-me na mansidão
Do leito vazio codinome
Solidão.
Banho-me e iludo-me
Em pensar que a limpeza
Também será por dentro,
Impurezas de pensamentos.

Sinto fome, mas as palavras
São magras não alimenta um
Pobre moribundo poético.
Patético nutrir-se de ilusões
A desnutrição vem de dentro para fora
A carne magra não mostra as aptidões
Do corpo ausente na vida.

A sede enfraqueceu o sangue vivo
Lenitivo amargo no sabor
Necessidade de água viva
Limpa e pura como minha visão doentia.

Por que sofres poeta?
Por que tanta dor poeta?
Por que iludir-se poeta?
Para purificar minha alma
Em alerta, meu mundo não é aqui
Pertenço a linha e versos.

Caminho pela imaginação
Observo a criação artista
Em vitrais, a profana imagem
Humana no sexo sentimentalista.
São sinais vitrais traduzindo
Informações nas entrelinhas dos casais
Onde o sexo é a forma mais viva da vida
Reanimando os sinais vitais.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Frevo Mais

FREVO MAIS

Todo folião carrega
Em seu coração uma alegria
Dionísica que transcende
A catarse levando em seu
Sorriso o brilho da sua fantasia
A coragem de transmutar-se
Em energia noite e dia
Nas ladeiras de Olinda
Ou no asfalto antigo das ilusões
Recifenses.

Somos brincantes em ritmo
Variado, reconhecido no mundo
Inteiro.
Um faceiro sentimento incessante
Nas cores de um galo
Gigante na beleza de sua carmine
Inspirando o frevo no passo real,
Nas canções eternas
Um fantástico bailar,
O frevo é mágico, é clássico
É jubilar a tristeza porque o Frevo é Mais.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano



sábado, 5 de dezembro de 2015

Estância

Estância

Ansioso na espera
De uma carta a moda antiga
No entanto a notícia vem
Em envelope lacrado
Deixando me triste,
Angustiado... 



Um sentimento novo
Toma todo meu espírito,
Meu corpo agora purifica
A raiva é meu próprio veneno. 


Súplica a Força Divina
Permutando valores
De uma alma que se destina
À vitória sem custo. 


Uma longa estrada percorreu
Não sei se a vida foi boa,
Lamentos de tudo que vivi.
Nem o sol me alegra
Apenas a solidão
De uma carne inquieta
Esse coração cansado. 



O bom guerreiro sabe a hora
De aceitar o fim da batalha.
“Combate a boa batalha da fé.
Toma posse da vida eterna,
Para a qual foste convocado,
Tendo já realizado boa confissão
Diante de muitas testemunhas.”
(Timóteo 6:12)
Guardo a imagem da equipe
Guerreira que junto a mim
Fez o impossível, sem guardar nomes
Levo comigo apenas a lembrança
Da Enfermagem, também chamada Esperança. 


Fernando Matos
Poeta Pernambucano




sábado, 7 de novembro de 2015

SERTÃO


Direcionando a rota
A ser dirigida, sigo a direção
Pré determinado... Longe estou
Caminhando por estradas do nosso sertão.


Montanhas que parecem mais
Gigantes adormecidos.
O tempo emurchecido, quente e abafado
Faz o lugar esquecido do poder...
A sede aqui é pela fé que se carrega
No Divino Ser...


A sabedoria popular é correta
O único alimento básico é a poeira
Amarelo alaranjado nutrindo o vazio
Do Ser Humano e também do gado.




Casas enormes e lares pequenos
Compõe o quadro vivo de um lugar
Deixado para trás, a mutação agora
É para quem (só)brevive ao meio
Do nada que já foi promessa do mundo.


Refaço o caminho de volta
Contemplando o voo do carcará.
Uma cruz me chama atenção
Me pergunto se a canção da despedida
Foi a melodia do combalido,
Antes forte, bravo e viril... Agora eterno.


Salve esses bravos irmãos
Que a verdadeira
Educação
Foi da Vida na lida...
Todos nós trazemos um sertão no coração.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano