quarta-feira, 8 de março de 2017

Consciência

Consciência


Esquivo-me dos devaneios
Que assolham minha quietude
Mórbidas lembranças sem esteios
Paz murmurada onde não há saúde.


As ilusões permeiam corações
Insana qualidade humana
A loucura que não mata mais cura.
Busco as alucinações do mundo perfeito.


Exalto o invisível elemento carnal
Palavras soltas na escuridão
O medo é uma consequência emocional
Ansiedade sem razão inquieta ação.


É preciso ter medo para entender o medo
É preciso Sentir a Paz para perceber
O grande mal do desassossego
Apego desagradável de ser e perder. 


Fernando Matos
Poeta Pernambucano







Pela Última Vez

Pela Última Vez


Já faz tanto tempo
Mal sabíamos andar
Eram momentos raros
Fatos na memória a guardar.


Comunicação feita pelo olhar
Antecipávamos cada pensamento
Parecia uma magia forte no ar
Hoje já não temos esse momento.


A comunicação continua entre olhares
Inversão do posicionamento
Conheci-te na maravilhosa chegada
Agora na partida amargurada.


Não iremos cobrar ou lamuriar
O tempo é de gratidão e sensatez
A vida foi rica em proporcionar
O nosso encontro pela última vez.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano






sexta-feira, 3 de março de 2017

Acalanto

Acalanto


Moro no silêncio das palavras
Letras que me denunciam
Inspiram minhas escaladas
Verbo silenciar dos dias que terminam.


Aquela mesma ausência de barulho intimo
Vorazmente perturba minha inquieta mente
O som musical é murmúrio espiritual
Caminho o qual já o vejo claramente.


O silêncio é falso e enganoso
Destrói e cria destinos estranhos
Na intimidade mistura-se ao gozo
Incomum comportamento mentiroso.


Repouso minha voz na história
Tudo teve sabor de conquista
Árduo é a disciplina da glória
O violonista é o solista da minha partida.  


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


Lágrima Pintada

Lágrima Pintada


Antes era tudo em preto e branco
A imaginação permeava as cabeças
Acredite no espanto ao ver o colorido
Não existe dúvida na recreação
Todos participam e tudo é permitido.


No ensinamento doce e inocente
Vivemos cada dia um novo aprendizado
A criança antes temerosa das cores
Agora brinca alegremente...


Nostalgia que invade a velha mente
Trazendo alegria na história de uma personagem
Foram tantas tintas que escondiam
A face triste vivida
Um dia as tirou só restando a despedida.


Hoje o olhar cansado
Vivendo no presente
As dores do passado.
Resta ao eterno palhaço
Agradecer o sorriso encantado
Os aplausos vívidos
Após cada cortina fechada
A saudade contemplada
Em uma lágrima pintada.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano






segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Brincantes

Brincantes



Antes de sair da corte real
Pausa, silêncio e oração.
Tudo tem que ser Divino e especial.
Preparados, um sorriso e um abração.


Sigo confiante, alegre e contente.
Desembarcando na alfândega da alegria
Nada a declarar, apenas uma sobrinha a mão.
Pai e filho, dois brincantes na folia.


Cada passo, uma descoberta.
Pedra e trilhos do passado
Rua da Moeda, depois Mariz de Barros.
Mansidão na Rua Marquês de Olinda
Bom Jesus todo o Brilho nos seduz.


Na Praça do Arsenal aquele sorriso
A nossa arma perigosa
Sentados a praça soltando bolinhas de sabão
Graciosa brincadeira e descontração
Ao longe uma canção conhecida
Um velho poeta e uma prosa da vida
Criança feliz e livre como seu encantamento
Felicidade era pouca naquele momento.


Retornando pelos passos percorridos
Na esquina uma multidão colorida
Um som conhecido, tambores do maracatu.
Olhar de surpresa e admiração
Melodia que reverência uma Nação
É hora do adeus e na partida
Um breve até logo e a sobrinha sempre a mão.


Versos que não cabem na folha de papel
Sentimentos guardados em fotografia
Encantamento de João Emmanuell
Ensinamento reinado nessa simples poesia.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano






quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Essencial

Essencial


Quando tudo parece verdadeiro
A chuva da madrugada parece limpar
O sonho claro volta ser nevoeiro
Dimensão que ilude, mas costuma encantar.


A qualidade é essencial na jornada
Elegante sentir a fé entre olhares
O que é real é também fidedigno
Semente que brota entre lares.


O som é capaz de penetrar a alma
Espírito apto a esmerilar a consciência
Vida que padece e voz do alto que enaltece.
Ciência do absoluto, agora é todo luto.


O ponto de partida deixou de possuir
A Luz incandescente fracassou na vitória.
Fonte de energia que faz fluir
Guarda também a essência da memória.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

RESISTÊNCIA

RESISTÊNCIA



Revolução se faz com escritas
Fortes, ousadas e determinantes.
Malditas ideologias sociais
Meramente conflitantes.


Mudança começa na educação
Movimento de libertário absoluto
A sociedade precisa de ação
O silêncio torna-se um abuso.


Revolta por um juízo irracional
Destruído por mecanismo e pela inépcia
Em qualquer rede social.
Almejemos uma nação ilibada
Na utopia da bem-aventurança
Inteligência imaculada.


Resisto às injustiças diárias
Urubus já não comem carniça
Humanos saciam-se da ração pária.
(Re) existo na sensatez imaginária
Reflexão perdida na natureza mesquinha
Nação pobre e sanguinária.
Madeira de lei não sai da linha.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano