domingo, 24 de março de 2019

Intimidade


Intimidade


Ainda nem amanheceu e a certeza
Que você já me pertenceu...
A intimidade secreta da profundeza
O real que agora tudo aconteceu.

Atrevidamente bastou um toque,
O cheiro de desejo incontrolável
Nossa vontade pura e inevitável
O sinal sem vestígio só transpiração.

Aconchego antes que o sol venha despontar
Proximidade alucinante que causa ansiedade
Até a próxima união entre as duas metades
Lampejo carnal com e o libido bem salutar.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


sexta-feira, 15 de março de 2019

Vozes Ocultas


Vozes Ocultas



O sol fica mais forte a cada manhã
Todos de algum modo já partiram
Toda vida é irmã do vento
Seguindo as orientações do ensinamento.

O mundo está ficando vazio com pessoas
Cada um vivenciando sua atroz personagem
Construindo diariamente um adeus na gamboa
A partida diária na metade da aprendizagem.

Soluço no silêncio de cada lágrima na madrugada
Biografias construídas em falsas imagens
O crepúsculo que antecede a nossa chegada...
As metáforas perdem força nas mensagens.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


quarta-feira, 6 de março de 2019

Máscara Negra

Máscara Negra



Recife ferveu e o Frevo Brilhou na Paisagem
Folia popular e unicamente Pernambucana
Convocou seus foliões a iludir-se na miragem
Que cada brincante carregou em uma semana.

Alguns ficaram distantes sem ouvir a bela canção
Dos Blocos Líricos e cegos assim permaneceram
Diante das irreverências maléficas de uma nação
Que agora irão curtir uma ressaca do que fizeram.

Recife, Minha Eterna Poesia...
Ontem era limpa na melodia bem entoada
Hoje enojada pela urina em cada esquina
A falta de educação foi o estandarte de alguns
Foliões que não carregam em seus corações
O amor por essa cidade de pontes mágicas
Trágicas memórias que irão permanecer quentes.
Quarta - feira de cinzas irá deixar uma fotografia
Maculada pela Máscara Negra da ilusão
Adeus ao Carnaval e ficou o brilho da melodia
Do até breve...


Fernando Matos

Poeta Pernambucano



sexta-feira, 1 de março de 2019

Poema Bruto


Poema Bruto


Eu desejo-te toda e plena felicidade
Enquanto retribuis palavras sem rimas
Insisto na ilusão que o coração invade
Recebo a maldade em carícias íntimas.

Complicado olhar e não conseguir possuir
A quem diga que o passado uniu o futuro
Incerto afirmar se a vontade é para construir
O modo mais simples de ser o doce bruto.

Acordo na madruga e escrevo um poema
São sentimentos que afloram de sonhos
Perdidos em devaneios sem algum problema.

Agora te beijo a face num delicado verso
Sem nexo retribui-me com aceno de mão
O corpo após o sexo é a via de contramão.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Brincadeira de Folião


Brincadeira de Folião


Esse ano não brinco carnaval
Peço a todos que me entenda
Não me leve a mal estou desanimado
Sem máscara e sem fantasia, fatigado.
Confetes e serpentinas perderam o brilho
Esse andarilho não tem mais alegria.
Não vou ouvir marchinhas ou frevo canção
Enclausurado no meu recanto estarei
Esquecerei que um dia fui folião...

Mulher que barulho é esse de tão longe?
É o som dos clarins anunciando o carnaval
Esqueceu que nós vamos ao Galo da madrugada?
Como é inocente essa minha amada
Papai cadê a minha sombrinha?
Não sei onde está filho amado
Nem tão pouco a minha...
Esse menino é carregado de alegria
Fantasia? Não precisa um verdadeiro folião
Carrega no coração a alegoria dos brincantes
Que som inebriante é esse, minha gente?
É o frevo de Vassourinhas e o povo fazendo o passo.
Começo a ficar mais animado e contente
Coloco a bermuda e uma camisa de algodão
Estampo um sorriso pernambucano no rosto
Com a família reunida saio recomposto
De energia, vigor apurado e espírito de folião.
Sou de Pernambuco, um brincante imortal
Sejam todos bem-vindos ao nosso Carnaval.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Encanto e Folia


Encanto e Folia


O bom folião não precisa de fantasia
Sua alegria é o seu melhor adereço
Um preço único para cair no passo
Novos e antigos amigos de folia.
Num abraço único de energia popular.

Todo Pernambucano já esquenta o frevo
Trazendo a magia no compasso da melodia
Com ritmo agitado e impetuoso a cada instante
Assim somos ontem, hoje e para sempre...
Um eterno brincante de brilho multicolorido.

Do interior até a grande capital
De Olinda e suas misteriosas ladeiras
Até o clímax do Recife Antigo
A brincadeira não tem hora para acabar
Cada um com sua mágica sombrinha
Saudando com alegria a majestade, o Frevo.
Ao longe uma só multidão frenética
Realçando a cinética em relevo e encanto
A Força Popular energética... O Carnaval.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano