terça-feira, 30 de outubro de 2018

Segregação


Segregação


Estava passeando pela rua
Quando um pedinte me abordou
Implorando por ajuda...
Informei que no momento nada
Poderia fazer e sem nada a oferecer
Então perguntei: Quem está no comando?
Ele sem entender ainda conseguiu responder:
Deus, porque ainda me dá abrigo espiritual.

Segui meu caminho e encontrei uma criança
Toda maltrapilha e com um olhar totalmente
Sem esperança... Sorrindo me pediu algo
Para comer e ainda sem nada ou com medo
Do que oferecer, perguntei: Por que não está
Na escola? Ela ficou receosa, mas respondeu:
Deus não deixa eu me perder, aprendo tudo.

Cada vez mais confuso e seguindo a estrada
Que nem sei a que caminho vai chegar
Encontrei uma senhora aos prantos
Preocupado com aquele lamento sufocante
Perguntei: Em que posso ajudar?
Ela disse: Agora nada mais... Acabo de perder
Meu irmão de dezessete anos de idade
Para uma bala perdida e considero isso
Pura maldade, um jovem tão cheio de vida
Com certeza poderia de algum modo esse
País mudar...
Indaguei novamente: Ainda quer ajuda?
Não... Respondeu ainda em lágrimas
Deus será nosso conforto e um dia quem
Sabe, iremos nos encontrar.

Depois de tanto andar, parei e sentei
No banco de praça para refletir sobre
Tudo que vi...
É lamentável ver tantas pessoas que
Moram sobre o mesmo manto protetor
De uma nação, sofrer com tamanha
Aberração...
Sofrimento de norte a sul, choros incansáveis
O futuro sem educação...
Não me importa se existe uma “Esquerda”
Ou uma “Direita”.
São vidas em perigo e ainda temos
A ousadia de cantar o Hino Nacional
Quando rostos desconhecidos nesse País
Passa mal e não tem uma raiz social
Que lhe sirva de legado...
Somos gados e ovelhas sem pastor
Não me importo se esse poema
Deixou de oferecer uma rima... Eu só queria
Entender por que ainda falta amor
Nessa terra tão rica e desolada?
Deixando sua população em total
Segregação com uma existência abandonada. 


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


sábado, 27 de outubro de 2018

Não Importa Mais


Não Importa Mais



Tantos sonhos perdidos na Nau do Destino
Sorrisos adormecidos na infinita madrugada
A direção do vento segue o desejo de menino
Semente que germina no calor da aurora...
Nada disso Importa Mais...

Não Importa Mais...
Lembrar o sabor extremamente agradável
Dos beijos acalorados em espumas marítimas
Satisfação da comunhão mental e amorável
Só os sonhos em Campos Elíseos são reais.

Acima de qualquer coisa, o respeito.
Não guardo lembranças em papéis amarelados
A submissão vem através do medo
Nossos propósitos foram segregados...
Nada disso Importa Mais...

Não Importa Mais,
Viver sem o prazer da respiração
Caminhar sem a alegria da pegada
O grito já sufocou o espírito na sua missão...
Gratidão é a cruz prateada que jamais perecerá
Mesmo que todas as lembranças do Peregrino
Com o coração de Menino insista em dizer:
Não Importa Mais.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Ansiedade


Ansiedade


Não podemos permitir a fotografia
Perder sua cor no espelho da alma...

Sentimentos envolvidos em nossos braços
Abraços perdidos no calor máximo da paixão
Presos na ternura orgasmaticamente de laços
De pura excitação, conquista sem sim...

A memória é o melhor álbum de fotografia
O negativo no pseudo, livre esquecimento
Só nós sabemos o sabor do beijo na fantasia
Entre lençóis e loucuras de puro alheamento.

Embriagados no vinho interno de afabilidade
Esquecemos as horas sem máculas
Um desejo que vem com grande vontade
Digito o nosso segredo com suavidade
Ansiedade de te encontrar em qualquer outro lugar.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano


terça-feira, 16 de outubro de 2018

Tatuagem


Tatuagem


A ausência é o desgaste da noite
Amanhecer que nunca chegará
Castigo na resiliência da alma
Sofrimento físico através do açoite.

O corpo nunca entendeu o desapego
Enfim, toda estrela tem o espaço para brilhar
O espírito livre no infinito para se resignar
Na solidão do vazio o calor do aconchego.

Renúncia é teu codinome para loucura...
Desprender-se da combinação perfeita
Absoluta, elegante e a beleza em ascensão
Amar-te tornou-se a mais cruel prisão...

O carinho é mais ativo no silêncio...
Não escrevi nossa história no papel
Encontra-se perpetuada na emoção
Cravada nas linhas do nosso coração.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Aproveite


Aproveite



Iluda-se com o tempo indeterminado
Aquele momento único do abraço
Quem sabe até do beijo pleno e apaixonado
Levando ao inesquecível e incrível amasso.

Aproveite o toque singular da mão  
Energia traçada em variados movimentos.
Olhar fixo que desconcerta o coração
Um plano imperfeito que deu certo complemento.

Deleite o momento em poder estar
Pois o longe às vezes fica muito perto
Onde a saudade faz a dor perdurar
Aproveite a respiração até mesmo
As batidas fortes do coração dizendo
Que o errado é não aproveitar o instante certo.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano


domingo, 23 de setembro de 2018

Desapegado


Desapegado


Quem pensa que és?
Para me dizer que nada sou
Ou insinuar que insano estou...
A vida ensinou-me a entender
Que nenhuma célula envelhece
Sem compreender a evolução do ser...
A mente pode às vezes entrar em contradição
Todavia na estrada de mão única do viver
É poder estar livre de qualquer lógica.

Quem é você?
Em reclamar de minhas lágrimas matinais
O soluço que consegue transmitir em silêncio
As angústias vividas nas penas carnais.
Minha alma não é seca conseguindo coexistir
Nas intempéries e nos prazeres essenciais.

Você nunca vai entender...
A mão que ficou vazia quando ajuda procurou
Atrair forças positivas no jeito simples de escrever
Na incerteza que o desejo sentiu, mas entusiasmo voo...
Logo mais a noite chegará e outra vez me esconder
Nas palavras mudas e sem querer, o corpo pranteou.

Eu sei quem você é...
O amor que sempre sonhei...
Desejo puro ao qual um dia busquei
Como quem planta uma semente no jardim
Desapegado de qualquer expectativa
Apenas vivendo o feitiço do alecrim dourado
Almejando amar e ser amado...
Assim em versos tão singelos defina a vida
Na condição de quem espera ser consolado
Pelo destino e sorrir feito criança 
Que mesmo sem esperança ganhou 
Uma velha locomotiva...


Fernando Matos
Poeta Pernambucano



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Indelével Saudade


Indelével Saudade



A sensibilidade que nunca acabará
Permanente carinho guardado no coração
Forte sempre será a Luz da União
Nenhuma distância no mundo finalizará.

Fatos que nos deixaram impressionar
Que o tempo não corrói...
Nem tão pouco a saudade destrói
Perfazendo lembranças para emocionar.

Reminiscência indelével e o tempo fragmentado
Tudo foi uma construção de verdade
A morte foi à pior de toda a maldade.
Recordação que deixa nosso peita consolado.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano