quinta-feira, 19 de março de 2020

Exílio


Exílio


Involuntariamente perdi teu abraço
Retirado da sociedade inesperadamente
Resta-me a lembrança do vosso afago
Força motriz que ativa a vida inexplicavelmente.

O lugar agora é triste e muito solitário
Tão longe sem poder tocar vossa mão
Escuto as batidas de saudade no coração
Guardo o último passeio no imaginário.

O beijo amigo temporariamente perdido
Precaução agora que se faz necessária
Evitando o desaparecimento no elo perdido.

Aparentemente excluídos da sociedade
Preservo a saúde de quem mais amo
Respeitando a vida com seriedade.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


terça-feira, 3 de março de 2020

Mar Profundo

Mar Profundo

Estou nadando para dentro de mim
Um mar de grandes profundezas
Com margens de incríveis surpresas
Turbilhão de emoções enfim...

A cada beijo leve da morte
Sinto uma enorme saudade
Vejo mais perto toda a verdade.

A Luz não sobrevive aos sonhos
Os pássaros não cantam nos pesadelos
Na batalha é que se cria força contra o medo.

Nada me pertence nesse mundo estranho
O meu grito cada dia fica mais perdido
Minhas ilusões sangram o espírito ferido.
O silêncio da minha voz aumentou de tamanho.

Os adversários creem no inevitável fracasso
Enquanto tudo é simplesmente merecimento
Pensar assim se evita maiores sofrimentos
Os versos têm força, não nasce do acaso.

Nunca mais estarei isolado do mundo
Mergulharei cada vez mais no meu interior
Hei de vencer essa terrível dor...
Que me sufoca no próprio mar profundo.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Talvez

Talvez


Hoje eu não quero morrer
Talvez amanhã...
Hoje não vou morrer de alegria
Talvez amanhã ou outro dia.
Hoje eu não vou morrer de saudade
Talvez amanhã...
Hoje não vou morrer de amor
Talvez amanhã ou outro dia por favor.
Hoje eu não vou morrer antes de te ver
Talvez amanhã...
Quando você aparecer novamente
Então minha mente ficará confusa
Será que agora eu vou morrer?
Não, vou deixar para amanhã
Talvez...
Talvez...
Talvez, outra vez.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Adeus Carnaval


Adeus Carnaval


Adeus Carnaval...
Dos corações partidos na falsa alegria
Acreditando que toda a solução
Vem da ilusão em quatro dias de folia.

Adeus Carnaval...
Entre verdades e ilusões de momo
Pois não tem como ser diferente
Se não treinar a mente as reais convicções.

Adeus Carnaval...
Onde o Pierrô hoje chora a diversidade
Da maldade e a explosão da injustiça.
A população cada dia mais omissa
Na construção de um País de Verdade.

Adeus Carnaval...
Dos rostos maquiados na tristeza
Uma maquiavélica insensata solução
Para a ressaca moral que estar por vir
Com certeza. 

Adeus Carnaval...
Dos confetes e serpentinas.
O passado não sacia mais as saudades
Nos grandes salões ausentes de cordialidades
A promiscuidade agora reside nas esquinas
Nas bocas sujas de quem quer respeito
Agindo com o mesmo preconceito e verdades
Perdidas atrás de mascaras de falsidades.

Adeus Carnaval...
Do frevo e do Maracatu
Da Canção que ainda teimam
Em arrancar lágrimas de emoção
Do bailar da sombrinha colorida
Tão linda e esquecida nas multidões
Dos bonecos gigantes que sofrem agressão
De uma sociedade desprovida de Razão...
Adeus Carnaval da Nova Sociedade
Que o futuro possa revelar a novidade
Tão sonhada e almejada por todos, União.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


domingo, 23 de fevereiro de 2020

Labirinto de Espelhos

Labirinto de Espelhos


O passado nunca abandona a gente
É terrível andar com algo assustador
Perseguindo e assombrando a mente
O espírito sofre com tanta dor.

Ouvir o perdão é uma horrível sentença
O afastamento é de enlouquecer
As fases da lua, não te faz esquecer,
O quanto você andou longe da própria presença.

Suplico ajuda a Ariadne,
O fio é fraco e volta a se partir
Imploro a Ades para onde ir
Os deuses não se importam com a humanidade.

Brinco com as palavras sem luz
Invoco o reflexo do próprio olhar
A escuridão me segue no caminhar
Já não sei se as vozes são leais
Ou letais para onde me conduz.

Não deixo migalhas por onde trafego
São linhas escritas com sangue e verdade
Driblando o destino e o vento da maldade
Sou alma livre e com a minha Luz eu me apego.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano 


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Carnaval, Encontros e Ilusões

Carnaval, Encontros e Ilusões.

Ele tão simples morador recifense.
Ela tão nobre encantadora olindense.
Senhor tão cheio de sonhos e desejos…
Uma Sina.
Donzela tão bela, uma flor de menina…
Um Lampejo.

Rosto colorido com alegria de palhaço.
A linda jovem sonha nas nuvens em ser bailarina.
Amor de palhaço perde o brilho no espaço.
Restando o preto no branco, triste coração.
Paixão de Colombina ferve no compasso,
Do frevo que ferve no calor de toda ilusão.

Pierrô suspira em conhecer a folia de Olinda.
Colombina almeja bailar no Recife Antigo.
No meio do caminho uma vontade no olhar,
Ele com a fantasia colorida um beijo roubar.
Ela iluminar olhos carentes em pleno carnaval.
Corações opostos se unem no plano espiritual.

Quando as emoções desconhecidas se aproximam,
O universo conspira e fica silenciado…
Folia que reúne ilusões que nos cercam.
Centro de Convenções unindo apaixonados,
Pela alegria finita de um grande carnaval.
Olhares que no calor momesco se encontram.
Um sorriso, um beijo na mão…
Vem um aperto no coração.
A orquestra toca vassourinha e tudo se mistura.
Olhares se perdem ao som fervoroso e sem fim,
Restando apenas a lembrança daquele olhar.
O dia amanhece e mesmo sem saber da iluminada
Colombina, ela desaparece entre o raio solar.
Ao longe o Pierrô observa sua mulher desejada,
Ser carregada nos braços e no sorriso de um arlequim.

Fernando Matos.
Poeta Pernambucano.

É de Queimar

É de Queimar


Em Recife o sol é de queimar
Água para beber
Água para banho tomar
Corpo suado parece derreter.

Suco de maracujá
Suco de limão
Suco de cajá
Haja hidratação
Para esse calor melhorar.

Quem do frio quiser correr
Convido a conhecer o sol
De Pernambuco...
Está tão quente que é capaz
De enlouquecer.

No ritmo mais popular
Pernambucano vamos coreografando
A dança da chuva...
Até uma grande nuvem aparecer,
Espero até lá não derreter.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano