quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Integralidade

Integralidade



A primeira vez que fizemos sexo
Foi através de um lindo olhar.
Você falou que nunca amou
Com tanta perfeição...
Fica então uma dúvida no ar:
Quem primeiro a semente plantou?

O sorriso maroto não mostrava
A ingenuidade de uma adolescente
Tudo inocente e a cada instante
Todo o mais se revelava...
A silhueta escondida atrás do véu vermelho
Era o espelho do elo perdido.

Uma mão recebe e a outra oferece
Nas íntimas e delicadas carícias
Nossas primícias revelavam a prece
De o novo amanhecer...
Nada a pedir e o silêncio do amor
A integralidade da alma a oferecer.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano





quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Volúpia

Volúpia



Antes do despertar da nova manhã
Senti o teu cheiro doce e afrodisíaco
Tocou o meu prazer com puro afã
A fertilidade anunciava o fado dionisíaco.

Senti o aroma do café energético
Passei a cantarolar uma desconhecida melodia
Diante da linda silhueta inebriante
Congelei por um instante, fiquei cético
Duas peças bem distintas em clássica harmonia.

Abduzido pelo presente e eterno tempo
A energia da libido retorna com força voraz
Desejo-te além da pintura do pensamento
Ouvir teus eruditos gritos de volúpia me apraz.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Árvore da Vida

Árvore da Vida


Algumas decisões são eternas
O suspiro da alma é um doce amargo
Não oferte falsas esperanças as suas pernas
A própria imagem às vezes é o reflexo do bizarro.

Caminhe como a noite no escuro,
Respire como o vento do deserto
Seja esperto em cada alvorecer
Usando o silêncio do Senhor dos Tempos
Na disciplina da evolução do Ser Imortal.

Seja suave como o calor do sol
Ouça sua própria respiração
Evite cair na própria cilada
Levando a destruição da razão
Então, jamais estarás só na estrada

Faça das suas lágrimas
A fonte de energia
A lua nunca perde seu brilho
Quando o dia vai embora
Sem demora abra inicialmente
O portal da Verdade em vossa mente.

Porque o Coração da Árvore da Vida
Saberá para onde deverás crescer
De jeito algum consinta uma visão destorcida
O último elemento para evolução é você.

Fernando Matos
Poeta Pernambucano


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Liberta a Ação

Liberta a Ação


Quem faz o que pode fazer
Não conhece seu real limite
Pois ainda haverá de conhecer
Aceite o convite...
Ultrapasse a fronteira do saber.

Um sonho realizado é um fruto saboroso
Sonhar com o amanhã requer cores
Deixar de ser andarilho vagaroso
Elevar seus verdadeiros valores.

Inspiração é sangue que ferve
Na estrada onde nada pode esperar
A noite é dia e os dois é madrugada.
Lugar onde versos de ficção
Maltrata o coração
Paixão se transforma em amor
No calor do doce beijo da amada.

Seguir na direção do astro rei
Ultrapassar os limites da imaginação
Ser caneta e papel da real criação
Porque somos nós guardiões
Da própria história...
Na memória de nossas concepções.

Coragem é entender o próprio medo
Sabedoria que vem das dores do íntimo Ser
Sua vida é Luz, não é brinquedo
É existir na vida de alguém
Que também possa reconhecer
O enorme brilho do teu enredo...


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Triste Poesia

Triste Poesia



O sol tão alto e quente
Minha alma aqui fria e amarga
Descontente e sem luz
Nada que traga de volta a paz
Que os olhos traduzem em esperança.

A criança não mora mais em mim
É a última etapa do moribundo
O fim sem a alusão do recomeço
Até os acordes musicais que ecoaram
Alegria pelo mundo já não os mereço.

A vida terrena tem prazo de validade
Nem o acaso de certas ocasiões
Deixará a vitalidade renovada
A velha armadura deixou-a engavetada
Com receio de novas ilusões.

O vento esbofeteia a inerte tranqüilidade
Sacudindo o Ser e as águas que cortam
A cidade carrega a triste mensagem
De um adeus sem partida
A minha bagagem é apenas uma caneta
Um papel e nele escrito o último verso
A ser lido ao final deste dia... É tudo que peço.
Ao som da corneta no alto da montanha
Acompanhando o recital da triste poesia.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


domingo, 17 de dezembro de 2017

Essência

Essência



Caminhando pela beira-mar
Sem nada a esquecer
Nem tão pouco para lembrar
Fui surpreendido com uma Flor
Não era um grande arranjo
Mas resplandecia tanto calor.

Aquela singela flor mexeu comigo
Por um instante parou todo o dia
Envolvendo-me como um abrigo.
Emoção maior que jamais esqueceria
Foi aos poucos mexendo também
Com os meus sentidos...
Minha visão viajou muito além
Dessa realidade mortal
A brisa que nos envolvia
Aos ouvidos da íntima alma
Era celestial melodia
O perfume embriagador foi transformando
Todo e qualquer ódio ou raiva sentida
Em êxtase da mais essência vida de amor.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Grande Esperança

Grande Esperança



Quando acordei e sem perceber
Encontrei uma lágrima no travesseiro
Pensei ligeiro, será que realmente
É minha? Agora como proceder?

Tentei relembrar o sonho passado
Mas logo fiquei amargurado
Pela traição de minhas lembranças
Tudo era névoa nada podia
Naquele novo dia ser relembrado.

Tudo agora será uma interrogação
Para tal evento não sei se foi boa
Ou ruim tal emoção...
A única certeza que os olhos confirmam
É a alegria de uma criança
Chamando “papai”, bom dia.
Um despertar da Grande Esperança.


Fernando Matos
Poeta Pernambucano